A bolsa da Coreia do Sul duplicou em 2026: o que está a acontecer
A bolsa da Coreia do Sul é a de melhor desempenho do mundo em 2026. O índice de referência, o KOSPI, subiu cerca de 100% este ano, ou seja, praticamente duplicou em poucos meses.
Os números
- +100% em 2026: o KOSPI passou dos 5.000 aos 8.000 pontos em poucos meses.
- Fechou pela primeira vez acima dos 7.000 a 6 de maio (máximo histórico).
- Não foi caso único na Ásia: Taiwan +50%, Japão (Nikkei) +28% no mesmo período.
- Para comparar: a subida de 2026 aproxima-se dos +102% do Nasdaq em 1999.

As duas razões que contribuíram para a subida da bolsa da Coreia do Sul
- A Coreia fabrica a memória que a IA precisa. Os chips da Nvidia não funcionam sem memória de alta largura de banda (HBM), feita sobretudo pela SK Hynix e pela Samsung. Com o boom da IA, os preços da memória subiram 246% só em 2025. A Goldman Sachs projeta um crescimento de lucros de 300% na Coreia em 2026.
- A Coreia está a reformar as suas empresas. Durante anos, as ações coreanas valeram menos do que deviam por má governação dos grandes grupos familiares. Um programa de reforma (“Value-Up”) e o novo presidente, Lee Jae-myung, estão a obrigar as empresas a tratar melhor os pequenos acionistas e o mercado começou a apostar nisso.
Os riscos de investir na bolsa da Coreia do Sul
- Concentração: a Samsung e a SK Hynix valem, juntas, cerca de 40% do índice. É quase apostar em duas empresas.
- Volatilidade: a 8 de junho o KOSPI caiu quase 9% num dia (e 12% em março).
- Dependência dos EUA: se as gigantes americanas (Microsoft, Apple, Amazon) travarem os gastos em IA, a procura de chips cai.
A Goldman Sachs ainda vê mais de 35% de subida, e o índice negoceia a cerca de 7 vezes os lucros: barato para o crescimento que tem.
Como investir a partir de Portugal
A forma mais simples é um ETF UCITS que siga as ações coreanas – por exemplo, o iShares MSCI Korea UCITS ETF (comissão anual de 0,65%). Atenção a três pontos: não segue exatamente o KOSPI, existe risco cambial (won/euro), e a versão americana (EWY) não costuma estar disponível para investidores europeus.
Isto é informação, não aconselhamento financeiro.
André Araújo
André Araújo é o editor do Mundo Financeiro, onde escreve sobre economia, mercados e finanças pessoais. O seu objetivo é simples: tornar temas financeiros complexos acessíveis a qualquer leitor. Em cada artigo procura responder ao que aconteceu, porque aconteceu e porque é relevante para quem lê. Contacto: andre@mundofinanceiro.pt

