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Economia

Juros outra vez a subir: o BCE mexe na quinta-feira, 10 de setembro (e a sua prestação vai sentir)

Juros outra vez a subir: o BCE mexe na quinta-feira, 10 de setembro (e a sua prestação vai sentir) Economia

Na quinta-feira, 10 de setembro, o Banco Central Europeu volta a subir os juros. É quase certo. E se tem casa a crédito, o impacto chega-lhe à conta já na próxima revisão do contrato.

O essencial em 30 segundos

  • O quê: subida da taxa de referência do BCE de 2,25% para 2,50% (+0,25 pontos).
  • Quando: quinta-feira, 10 de setembro, às 13h15 (hora de Lisboa).
  • Porquê: a inflação subiu para 3,3% em agosto, bem acima da meta de 2%.
  • Quem sente: quem tem crédito à habitação a taxa variável (a maioria dos portugueses).

Porquê agora?

Por causa da inflação, que em agosto acelerou para 3,3%, depois dos 2,9% de julho. Está longe da meta de 2% que o BCE persegue.

Mas há um pormenor: esta subida foi quase toda devido ao custo da energia. Só a energia subiu 14,3% num ano. O petróleo disparou com a tensão no Médio Oriente, e é isso que está a empurrar os preços. Se não considerarmos a energia, a inflação até está a acalmar.

A parte controversa

Subir juros serve para travar uma economia que está a aquecer depressa demais. Não faz descer o preço do petróleo.

Ou seja, o BCE vai encarecer o crédito para combater um problema que os juros não resolvem. Porquê, então? Medo. Medo de que a energia cara acabe por contaminar tudo o resto (salários, serviços, o café da esquina) e a inflação se instale de vez. Depois do susto de 2022, o banco prefere pecar por excesso de cautela.

O problema é que quem paga essa cautela (literalmente) somos nós.

O que isto significa para o seu bolso

Se tem crédito à habitação a taxa variável, a sua prestação está indexada à Euribor. E a Euribor anda sempre atrás do BCE: o banco central sobe, a Euribor sobe a seguir, e a prestação aumenta na revisão seguinte do seu contrato.

Veja como fica, numa subida de 0,25 pontos, a 30 anos:

DívidaAntes (3,5%)Depois (3,75%)A mais / mêsA mais / ano
100.000€449€463€+14€+169€
150.000€674€695€+21€+253€
200.000€898€926€+28€+338€
250.000€1.123€1.158€+35€+422€

Exemplo ilustrativo, com a taxa (Euribor + spread) a passar de 3,5% para 3,75%. Os valores variam conforme o seu spread, o prazo e o capital em dívida.

E o futuro?

Se a energia continuar cara, há bancos, como o Deutsche Bank, a admitir nova subida já em dezembro, quando o BCE volta a apresentar as suas projeções económicas.

Tudo vai depender do petróleo. Se acalmar, o BCE trava. Se continuar a subir, é preparar o bolso para mais uma.

Na quinta-feira, 10 de setembro, às 13h15, ficamos a saber o próximo passo. Mas, mais do que o número, o que conta é o que Christine Lagarde disser a seguir. É aí que se percebe se dezembro traz outra surpresa à prestação.


Este artigo tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento ou de contratação de crédito. Faça sempre as contas à sua situação, ou fale com o seu banco ou um intermediário de crédito.

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MF
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